A Origem de Sonic Mania

Sonic Mania – A Origem do Retorno Triunfal do Ouriço

Autor: Mysteron

Com o lançamento de Sonic Mania e o sucesso que ele conquistou, muitos ficaram se perguntando como é possível que os fãs conseguiram fazer aquilo que a própria dona da franquia não conseguiu.

A verdade é que a comunidade de fãs do Sonic é uma das mais ativas e criativas já existentes. Eles deixaram de ser jovens que queriam chegar o mais rápido possível ao fim de uma fase a um grupo que procuram detalhes desse universo e descobrem segredos ou trabalhos não acabados sobre o personagem.

O que diferencia essa comunidade das outras é que desta vez a Sega deu a oportunidade para alguns de seus mais proeminentes membros para usar todas as ferramentas possíveis para criar um jogo feito por fãs para os fãs. O resultado já é conhecido e todos os envolvidos podem se sentir orgulhosos.

Simon Thomley e Christian Whitehead.

Mas na verdade, tudo começou em 2009 quando a Sega começou a pedir a ajuda da Internet para escolher quais jogos de sua história ela poderia portar para iOS com a clara intenção de portar Sonic 1 (Genesis/Mega Drive), porém Christian Whitehead acabou aproveitando a oportunidade, entrou em contato com outro fã e desenvolvedor chamado Simon Thomley e criou uma versão completa de Sonic CD para iOS feito completamente em sua própria engine. Não se tem muita informação sobre o que ocorreu nos bastidores, mas em 2011, Sonic CD foi lançado oficialmente para todos os consoles disponíveis – até o Ouya.

Na sequência desse sucesso, Whitehead criou uma boa relação com a Sega e com essa proximidade, conseguiu trazer Thomley para a empreitada. Porém 2012 foi um ano bem complicado para a Sega, com queda em vendas e lucros. Vendo o seu futuro em jogo, Thomley criou a sua própria empresa, Headcannon, em 2013.

Essa movimentação deve ter agradado a Sega, pois logo depois, ela anuncia o port de Sonic 1 para iOS e Android portado justamente por Christian Whitehead e pela Headcannon substituindo a versão existente até então – que era apenas emulada – por uma versão superior, com novos caminhos, Tails, e a utilização de vários pedaços de códigos esquecidos até então.

O sucesso fez com que eles lançassem logo depois Sonic 2, com a mesma ótima recepção. Porém Sonic 3 & Knuckles ficou de fora, já que a Sega estava tendo problemas de natureza legal em relação ao seu relançamento, provavelmente por causa do trabalho (ou não, já que ninguém tem certeza sobre isso) de Michael Jackson na trilha sonora. O estranho é que não se teve mais notícias depois desses lançamentos.

Demonstração de Sonic CD feita pelo próprio Christian Whitehead para iOS

Depois de todo esse tempo em silêncio, em 2016 Christian Whitehead ressurge dizendo que cancelou todos os seus trabalhos paralelos pois estava trabalhando em um projeto secreto com a Sega. Na época não se sabia muito sobre o projeto, mas um time de fãs de primeira categoria estava sendo organizado para recapturar a glória do ouriço azul.

Todos eles fazem parte da comunidade e, com o aval da Sega, despejaram toda a sua paixão e conhecimento do universo do personagem no jogo. Entre os envolvidos estão: o level designer Jared Kasl, o artista Tom Fry e o compositor Tee Lopes – todos eles trabalharam em um remaster não-oficial de Sonic 2 além da produtora Lola Shiraishi.

As animações de abertura e encerramento foram feitas por Tyson Hesse – um dos artistas que trabalharam na revista do Sonic pela ArchieComics.

E o resultado pode ser visto por todos, uma declaração de amor ao personagem, à Sega como um todo e com todas as qualidades que a trilogia original ofereceu.

O jogo já é considerado um grande sucesso, com notas elevadas e perfeitas vindas de suas análises e, pode-se dizer que essa era a recepção que Sonic precisava e sempre mereceu. Esse é o jogo que quebrou o já famoso “Sonic cycle”, onde a frustração acaba sendo o resultado final.

O que se viu é algo que transcende qualidade técnica e mostra realmente que quando uma empresa com boa vontade se une com fãs fervorosos, coisa muito boa pode ser aguardada.

Que venham o Sonic Mania 2, 3, 4…

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  • Mysteron

    Galera, esperam que curtam. É um artigo baseado em um jogo que acho que gostei só um tiquinho. Mas um agradecimento especial vai ao nosso anfitrião Jonny pelo layout, retoques, polimentos e lanternagem em geral. O artigo ficou muitíssimo melhor com o seu toque, cara. Valeu demais!

    • Pô! Valeu, Myster. Mas, o mérito é todo teu pela pesquisa é por esse texto gostoso. Espero que possa continuar contribuindo para o RPG. o/

      • Mysteron

        Pode deixar. Quando o RPG quiser, estou à disposição!

  • Joao Rafael Serrano

    Segue na fila, jogarei em breve no Switch já que a sega não produz mais consoles hu3

    • Mysteron

      A Nintendo também não. Só portáteis agora (hue x 2) hahahahahahahahaha!

      • Joao Rafael Serrano

        Falhou novamente a nintendo vende consoles clássicos como o SNes.

        • Mysteron

          “mini” snes. Portátil – hue de novo.

    • Segue na fila tbm. Mas, só até amanhã (lançamento no Steam). Aí serei feliz. .o/

  • Dark Angel Caxias

    Eu acabei “perdendo” a oportunidade de adquirir a edição de colecionador para o Switch; e, considerando que não tenho crédito suficiente no eShop para isso, a compra desse jogo, se realmente acontecer, vai ficar para o futuro. Ainda assim, naturalmente que é bom ver Sonic retornando ao auge, com um jogo bem recebido tanto pela crítica quanto, principalmente, pelos gamers. Fica a torcida para o Sonic Forces conseguir manter o nível; o que, sinceramente e infelizmente, eu duvido muito…

    • Mysteron

      Eu acredito que vá sair um ótimo jogo. Mas vai perder em comparação com o Mania por um ponto. O Mania foi em cheio na notalgia de todo mundo. Os caras conseguiram acertar exatamente naquilo que todo mundo queria. É que nem você falar que no próximo Mario ele não vai salvar a Peach ou que no próximo Zelda não terá a Master Sword. Pode até sair um bom jogo – mas vai faltar algo.

    • Então, eu gosto muito dos jogos 3D tbm (não todos). A fórmula ideal para o Forces para mim seria seguir, e parece que a proposta é essa msm, o que foi feito em Generations. Já falei pra vocês em outras oportunidades, mas, gostei tanto de Generations que fiz questão de fazer os 100% de.conquistas. É uma de minhas (poucas) platinas. Mania ainda não joguei, mas, não tem o que dizer de um jogo que bebê tão bem da fonte dos originais. Instaclássico.

      • Mysteron

        Instaclássico mesmo…

      • Dark Angel Caxias

        Bem, minha experiência com Sonic é bastante limitada, para dizer o mínimo – joguei algum tempo do primeiro Sonic The Hedgehog e as demos do Sonic: The Lost World (com sua mísera única fase) e Sonic Boom (o qual, de três fases, apenas uma era interessante mesmo). Fora isso, o único jogo que efetivamente eu posso dizer ter jogado, é o Sonic and the Secret Rings do Wii, do qual até gostei, apesar do esquema de controle muito pouco “ortodoxo”, digamos. Agora, assisti a alguns vídeos de tantos outros jogos, como do Generations, por exemplo; e, sinceramente, não me agradou tanto a mecânica atual do Sonic em 3D, que é basicamente “segurar para a frente e pular/trocar de caminho ocasionalmente”. Mas veremos como o Sonic Forces se sai…

        • The Lost World não me desceu. 🙁 Uma pena. E pense que eu o comprei com muita sede, pois, foi o Sonic pós-Generations.

          • Dark Angel Caxias

            Como comentei, joguei apenas a demo do Sonic: The Lost World; mas assisti a bastante vídeos, entre eles um walkthrough completo, e definitivamente não gostei lá muito do que vi. E isso que, pouco antes do lançamento, eu estava – acredite se quiser -, mais “empolgado” por ele do que pelo Super Mario 3D World…

          • Mysteron

            Eu espero curtí-lo. Comprei numa promo, e tá ali paradão. Me pareceu legal…

          • Tomara que vc curta. Pra mim não foi, não. 🙁

  • Quase comprei esse jogo no PS4 semana passada, só não comprei por muito pouco mesmo. Na verdade, uma combinação entre falta de tempo, falta de dinheiro, e um acúmulo muito grande de coisas para jogar, que eu estou tentando resolver recentemente. Mas esse tipo de história sobre os jogos é sempre legal discutir, ótimo artigo! E fica aquele puxão de orelha na Square, Capcom e principalmente na Nintendo, que parecem querer que os seus maiores fãs se explodam, antes que esses criem alguma coisa.

    • Mysteron

      Mas ele tá baratim…. Mas é engraçado que as empresas japonesas realmente estão esquecendo do seu vastíssimo histórico. Cara. Tem tanta coisa ali que pode ser feita que chega a doer. E nada disso precisaria de orçamentos monstruoso ou algo parecido. É só querer. Ou olhar para a Comunidade – o que aconteceu nesete caso.

      Pra você ter ideia – um tempo atrás teve um fan remake do Metroid 2 que a Nintendo mandou fechar. Pois é. O cara responsável (ou um dos responsáveis) foi contratado pra trabalhar no próximo Ori (and the Will of the Wisps) – justamente um dos melhores Metriodvanias dos últios anos. Ele era uma pessoa que a Nintendo podia pegar e fazer ele crescer dentro da empresa para justamente fazer desenvolver uma franquia que merece atenção permanente. O legal é que a Sega fez justamente isso. E todos saíram ganhando.

      • Sim!!! É justamente desse caso do AM2R que eu tô falando, mas tem muitos outros. Pokémon MMO, que tem dezenas de milhares de jogadores ativos (DEZENAS DE MILHARES). O remake 3D de Chrono Trigger, de uns 10 anos atrás (ainda lembra?). O remake de Resident Evil 2, que pelo menos a Capcom contratou o cara, mas o remake anda meio desaparecido. Dezenas e dezenas de fan-translation. É tanta coisa por aí, tanta coisa. A Bethesda é uma que volta e meia cata um modder aí ou alguém da comunidade para trabalhar em seus jogos. Vários desenvolvedores europeus também fazem isso eventualmente. Mas ainda é uma fração de gente.E quanto ao preço, tá barato mesmo, mas esse foi só um dos fatores que me levaram a deixar o jogo para um outro momento. Sonic foi meu primeiro game (mesmo), num Master System III, com certeza vou pegar esse (e Forces também, provavelmente), só estou esperando o momento certo, para que o jogo não fique sentado lá na minha conta do Steam como tantos outros, hehehe.

      • Dark Angel Caxias

        Ah, mas no caso do AM2R, acabou fazendo “sentido” o pedido de desistência da Nintendo – lembrem-se que, na E3 desse ano, ela anunciou o seu próprio remake do mesmo jogo. Naturalmente, que isso não desculpa a atitude dela nesse caso, como em tantos outros, mas, pelo menos, explica. E não vamos nos esquecer do Project M, que durante anos esteve na ativa com atualizações constantes, sem a Nintendo manifestar-se de forma alguma, e que apenas parou porque os próprios “desenvolvedores” desistiram do projeto (para anunciar um clone de Super Smash Bros. sem metade da inspiração).

        • Mysteron

          Ah, cara. Não sei. Até mesmo a Sega tinha atitudes dessa natureza até que “ficou esperta” e contratou o cara. Eu ainda acho que os termos que ela usou queimaram ela bastante com a comunidade por causa disso. Eu ainda acredito que abraçar a paixão da comunidade seja o melhor remédio. Já imaginou como o impacto seria diferente se o cara do AM2R soltasse uma mensagem do tipo: “Estou abandonando o projeto pois a Nintendo me contratou para cuidar do próximo jogo da série Metroid”? O pessoal ia louvar esse tipo de gesto.

          Eu ainda acho que a Sega vai fazer escola em relação a essas atitudes. Agora – só falta chamar o povo que fez o Streets of Rage Remake para fazer o 4.