Monter Hunter Stories – Análise

BFF – Bora ser Friends Forever

Autor: Jonny

Ficha Técnica:

Monster Hunter Stories

Data de lançamento: 8 de Setembro de 2017 (EUA) / 8 de Outubro de 2016 (Japão)

Plataforma: 3DS

Outras análises do autor para o RPG: Castlevania: LoS – Mirror of Fate (3DS) / Animais Fantásticos e Onde Habitam (Cinema) / Street Fighter V (PS4 e PC)

A série Monster Hunter, sucesso absoluto no Japão, começa a ganhar popularidade também aqui no Ocidente. Com mais de 10 anos de existência, o original é de 2004, é natural a preocupação da Capcom em renovar seu público e fazer com que a marca continue evoluindo e impactando novos players. Focada neste objetivo simples nasceu uma proposta mais apelativa a um público mais novo: Monster Hunter Stories (MHS).

Não bastasse essa nova investida ter um visual mais “anime”, ela também ganhou, veja só, um anime próprio. Mas, a proposta de agradar os miúdos vai além de abandonar a curva de aprendizado monstra (me contrata Carlos Alberto) e apresenta um produto mais acessível e que troca de gênero. Agora a aventura deixa de ser um Action e se torna um RPG tradicional.

Vamos conhecer mais sobre esse game e descobrir se você deve tirar a poeira de seu 3DS.

A análise a seguir é melhor degustada ouvindo o áudio a seguir. Escolha sua forma favorita de leitura. 😉

Riders X Hunters

Monster Hunter Stories não nega seu lado Anime

Fãs da série tradicional de Monster Hunter irão de cara estranhar um quesito: história e quantidade de diálogos. Não que MonHun não tenha um lore próprio, mas, nem mesmo no quarto título (3DS) que apresenta uma história um pouco melhor contada, temos tanto empenho neste quesito. MHS tem uma história simples e até excessivamente tradicional, mas, muito bem conduzida e narrada.

Aqui, você não é um Hunter. É um Rider. E se você é experiente na série, mas, não sabe o que isso significa não se preocupe. O conceito é inédito mesmo. Ao invés de caçar as criaturas, um Rider é alguém que cria laços com elas, as doma e as tornam amigas, convenientemente as usando como parceiras em batalha.

Seu objetivo é salvar o mundo de uma grande calamidade, a Black Blight, um fenômeno que faz com que as criaturas se tornem agressivas e extremamente perigosas. Além disso, você precisa conhecer novas pessoas, cidades e de quebra ajudar seus amigos encrencados.

Um Mundo Selvagem a Explorar

Algo que se deve parabenizar a produtora Marvelous é a forma como fizeram conversões inteligentes da série original pra essa nova fórmula. Veteranos na série se sentirão em casa aqui. Você ainda vai à busca dos recursos da natureza como antes. Prepare-se para colher ervas, cogumelos, ossos, para fazer sua mineração e também pescar. Todos estes recursos tão utilizados na série original ainda são intensamente procurados e importantes nesta nova fórmula. Pra ajudar na ambientação, os sons são os mesmos. As áreas abertas onde eles são coletáveis são de proporção adequada. Não grandes demais a ponto de você se sentir perdido, mas, de um tamanho exato para você se sentir confortável em voltar diversas vezes e decorar onde cada elemento se encontra.

A proporção é adequada também para o backtracking. Assim como na série Pokémon suas criaturas possuem habilidades únicas como quebrar rochas, saltar, nadar, andar na lava, escalar e ainda mais. Pense nestas habilidades como as HM (Hidden Machine). Mas, ao contrário de Pokémon, estas habilidades são natas de cada criatura. O que vai te motivar a ter mais monstros e conhecer cada um deles para saber como explorar as diversas áreas em que você for se aventurar. Naturalmente, estes pontos não são acessados em um primeiro momento, estimulando o player a explorar as áreas, as habilidades dos monstros e incentivando seu retorno a cada uma das áreas já visitadas.

As cidades também são exploráveis em proporções menores, mas, são um grande destaque em seus designs e trilhas constantes. São nestas áreas seguras onde você gerencia a maioria das possibilidades do game.

As cidades também são exploráveis em proporções menores, mas, são um grande destaque em seus designs e trilhas constantes. São nestas áreas seguras onde você gerencia a maioria das possibilidades do game.

Conteúdo. Conteúdo. Conteúdo Monstro

Assim como você deve imaginar, a progressão do game, e também como de um RPG convencional, gira em torno da história central, mas, um tanto diferente da fórmula original. Você tem um único mundo coeso por onde você vai desbravando novas áreas, conhecendo novas cidades e novos monstros. Toda essa progressão é devidamente conduzida pela narrativa principal. Essas são as Main Quests.

Entretanto, ainda há dezenas e mais dezenas de subquests que são liberadas ao conversar com os diversos NPCs ou no avançar da história, dessa segunda forma existe a Quest Board. Aqui será comum para jogadores da série original. Você consulta a Board e vê a subquest que te é mais interessante. Elas variam entre matar uma subespécie de monstro (geralmente mais poderosa que a da quest principal), coletar ovos, uma certa quantidade de ervas específicas, etc.

(…) Há dezenas e mais dezenas de subquests que são liberadas ao conversar com os diversos NPCs ou no avançar da história (…) Você consulta a Board e vê a subquest que te é mais interessante. Elas variam entre matar uma subespécie de monstro (geralmente mais poderosa que a da quest principal), coletar ovos, uma certa quantidade de ervas específicas, etc.

Essas subquests são muito importantes, pois, é a forma de receber como recompensa mais dinheiro para adquirir armaduras, armas e itens, assim como obter duas coisas ainda mais importantes: habilidades para suas armas e, o essencial: os Recipes. Os recipes ensinam a seu personagem como obter itens ainda mais poderosos que os simples coletados pelo mundo. Vamos a um exemplo: enquanto explora as áreas você pode encontrar uma variedade de itens. Entre eles, Herb (recupera sua energia de forma bem baixa) e o Blue Mushroom. Sozinhos parecem bobos e são bem abundantes de se encontrar, assim como ineficientes em batalhas mais duras. Mas, os combinando você os transforma em Potions (recuperam uma quantidade modesta de HP, mas, ainda melhor que o Herb).

A essa altura você já compreendeu. Você só pode combinar e conseguir certos itens conseguindo essas recipes em Subquests. E aí há uma variedade de itens a serem combinados e que são cruciais para sua evolução e progressão. Tudo isso dá um dinamismo interessante e orgânico para as subquests tornando-as tão importantes quanto divertidas.

Temos que Pegar!

As coisas estão ficando interessantes. Temos uma história a desbravar. Itens pra coletar e combinar pelo vasto mundo. Quests e subquests para ocupar nosso tempo. Mas, ei! Esse é um mundo de monstros a serem domados e utilizados.

Neste quesito é onde os veteranos ficarão ainda mais a vontade, pois, são onde as “carinhas” conhecidas aparecem. Fique tranqüilo ex-caçador e agora Rider, afinal, Velocidromes, Arzuros, Diablos, Tigrex e tantos outros estão aqui para serem enfrentados e, melhor, chocados e colocados ao seu lado como parceiros de batalha. Mas, além de rever antigos adversários, agora chegamos à parte onde o game ganha em complexidade para os que gostam de se aprofundar e especializar.

A “captura” é a primeira parte. O game te dá pelo mapa principal os “Dens”. Eles aparecem de forma aleatória ou cumprindo pré-requisitos ao derrotar um monstro em questão para gerar o seu “Den”. Por exemplo, você enfrenta um Aptonoth e não o possui na coleção, se você o derrotar cumprindo o que se espera pra ele “fugir” pro seu refúgio, este “Den” irá aparecer em seu mapa. Neste Den você terá uma mini dungeon gerada aleatória onde no fim terá a oportunidade de capturar um dos ovos que pode gerar a tão almejada criatura que você não possui. O game possui mais de 100 monstros para enfrentar, sendo que mais de 60 são capturáveis. Parece um número modesto comparado a títulos titãs como Pokémon. Mas, acredite. É um número mais que suficiente para te manter entretido dentro desta fórmula estabelecida sem se tornar maçante.

O game possui mais de 100 monstros para enfrentar, sendo que mais de 60 são capturáveis

Para adicionar mais uma camada existe também o “Rite of Channeling”. Um ritual que te permite fundir os genes de uma criatura a de outra, ao custo da vida dessa última. Isso é meio triste. Entretanto, como você pode imaginar a primeira se torna mais forte e com possibilidades de adquirir habilidades antes improváveis. Exemplo? Uma criatura de fogo com habilidades atípicas a sua natureza é possível através deste processo. Vá em busca do seu monstro perfeito, amigo.

Preparar. Apontar: Pedra. Papel. Tesoura.

O sistema de combate de MHS é por turnos. Como já dito, um RPG convencional. Mas, antes que você feche essa análise eu quero te mostrar alguns pontos positivos do sistema adotado pra este game.

Ainda que não reinvente a roda, a proposta deles é divertida e não tão convencional. No mapa os inimigos são visíveis e podem ser evitados. Caso você não queira batalhar, basta desviar de seu algoz. Por se tratar de um RPG por turno, você deve estar se questionando a respeito do Grind, certo? Pois, bem. Sim! O grind é importante para sua progressão. O game não é difícil, mas, se você resolver rushar demais poderá ter dificuldades. O alívio é que o grind aqui acaba sendo gostoso pelo sistema adotado.

Você tem as seguintes opções de batalha: atacar, escolher uma de suas habilidades especiais (Rider), usar itens finitos (configurados antes da batalha) e trocar seus monstros dentro da batalha. Sobre seu monstro, ele usa seus ataques de forma aleatória, mas, você pode optar se quer escolher uma de suas habilidades especiais que tem um custo de pontos ou deixar ele atacar. Todos estes quesitos entram em sua estratégia e são importantes para definir sua derrota ou vitória. Os ataques, seus e de sua fera, são baseados em Poder, Técnica ou Velocidade. Assim como os de seus inimigos.

Observe o esquema Papel Pedra Tesoura: Power > Tech > Speed > Power

Aí entra o papel, pedra ou tesoura. Poder ganha de técnica que ganha de velocidade que ganha de poder. Caso você consiga reconhecer ou acertar o padrão do inimigo você ganha Kinship Points. Essenciais para fazer os Kinships Attacks. Quando sua barra encher, você pode montar sua criatura e realizar estes poderosíssimos ataques. Mas, não basta serem poderosos. Cada criatura possui uma animação única e extremamente bem feita que vai te deixar com vontade de fazer os Kinship Attacks de cada uma das criaturas. No melhor estilo anime mesmo. É realmente incrível.

Pra deixar o sistema ainda mais dinâmico existe invariavelmente dentro de batalha três minigames que te forçarão a ficar atento para apertar botões freneticamente. Um deles solicita que você rode o analógico mais rápido que o adversário, outro demanda que você aperte os botões L e R alternadamente em velocidade e por fim há o de pressionar o “A” o mais rápido possível.

Ainda que o sistema de batalha seja divertido e o grind não canse, em determinado ponto você vai desejar que as animações de batalha passem mais rápido. Então, fique contente por saber que ao toque de um botão (X) você pode aumentar a velocidade da animação em até três vezes.

Belas criaturas à melodia do vento

Devo confessar que acho surpreendente o 3DS ainda ter games saindo e “pior”, ainda sendo anunciados. É realmente impressionante a sobrevida que esse hardware extremamente limitado está tendo. Dito isso, é ainda mais surpreendente a qualidade gráfica aqui apresentada. MHS é, facilmente, um dos games mais bonitos do portátil da Nintendo. A cada área eu ia me impressionando com a qualidade e detalhes dos mapas e, sobretudo da quantidade de modelos criados, de suas animações e dos efeitos visuais que coroam a apresentação.

Sou um jogador de PC e não é qualquer coisa que impressiona nos dias atuais, mas, dada a já mencionada limitação do aparelho é realmente impressionante a sensação de frio, calor e de frescor criadas pela ambientação visual de cada uma das áreas do jogo. Foi acertada também a escolha de um estilo mais cartoon, seja pelo público direcionado ou para poder investir na quantidade de modelos e suas incríveis animações.

MHS é, facilmente, um dos games mais bonitos do portátil da Nintendo. A cada área eu ia me impressionando com a qualidade e detalhes dos mapas e, sobretudo da quantidade de modelos criados, de suas animações e dos efeitos visuais que coroam a apresentação

Sonoramente o game não decepciona, ainda que não seja um grande destaque. Temos o belo tema principal e as canções de cada cidade sempre dão aquela característica de sua localização, bem adequadas. Os temas de batalhas são corretos e com relativa diversidade, suficientes para ajudar na questão de não deixar chato pela repetição proporcionada pelo grind. Em batalhas principais ainda temos temas distintos que dão certo tom épico e completam o pacote técnico.

Ferreiros + Porcos + Gatos + Cores + Amigos = Diversão Extra

Não bastasse todo esse pacotão, o game ainda oferece uma gama de extras impressionante para quem visa custo-benefício. É bem verdade que a aventura principal dura “pouco”, cerca de 50 horas. Ainda que tenha uma duração mais que decente para um RPG portátil, os mais exigentes poderão ficar decepcionados. Pois bem, “desfique”.

MHS oferece uma grande quantidade de conteúdo para ser aproveitado para retardar a missão final ou para se fazer após ela. Saiba você que os famosos Poogies (porquinhos fofinhos e carismáticos) de MonHun estão aqui. São 100 para incentivar a sua exploração em cada cantinho do mapa. A cada 10 você ganha uma interessante recompensa e os completistas ficarão alucinados até encontrar o último.

As poucas, mas, belas CGs relembram um tempo onde jogávamos pra destravar essas cenas de corte. Todas elas podem ser assistidas na hora que quiser

Assim como na série original você usará todos os itens encontrados seja minerando, cavando, pescando ou derrotando criaturas para a criação de algo muito bonito visualmente e ainda mais importante nas batalhas: armas e armaduras. Você pode até comprar algumas, mas, as mais interessantes são adquiridas com estes custos junto aos ferreiros. Mais um incentivo para suas subquests. Quer mais, insaciável? Todas elas, armas e armaduras, evoluem. Claro! Há um custo de itens e dinheiro. Para seu desejo de customização, as armaduras são adaptáveis e você pode combinar as cores que bem entender para deixar o seu personagem da forma como prefere.

Pra que tanta customização? Pra mostrar pros amigos ou “inimigos”. O game ainda oferece um interessante e funcional sistema de combate online e local. Todo o sistema que você masterizar no game pode ser colocado em prática contra adversários humanos. Só saiba que como todo competitivo a parada fica bem mais sinistra que no modo single. Esteja pronto com suas melhores criaturas e seus melhores equipamentos. O online funciona satisfatoriamente bem. Nos testes realizados não tive problema.

Pra fechar, mais de 40 cutscenes podem ser assistidas quando bem quiser em sua “Casa” e a exemplo da série original a Capcom oferta bastante DLC gratuita para sua diversão. Uma das mais interessantes e já lançadas é o DLC “The Legend of Zelda”, onde você libera Epona, Master Sword e Hylian Shield e a roupa de Link. Claro, para liberar cada um deles você deve cumprir algumas missões. Um desafio extra bem vindo para quem curtir o jogo.

O DLC de “Zelda” era um dos mais aguardados e não decepcionou na diversão

Veredito

Monster Hunter Stories é um ótimo exemplo de como adaptar uma série para outro gênero e que respeita o material original. Novatos curtirão e terão uma bela ponte para a série principal, assim como veteranos curtirão a experiência diferente proposta.

Possuindo uma excelente apresentação visual e um conteúdo exemplar se torna obrigatório em termos de diversão e custo benefício para quem quer ter um RPG de qualidade nessa sobrevida que o 3DS está tendo.

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  • Dark Angel Caxias

    Meu contato com Monster Hunter resume-se à demo liberada no Wii U do Tri Ultimate; fiz um “teste” bastante breve, enfrentando umas três criaturas com umas duas classes diferentes, e acabei, infelizmente, não gostando muito da minha experiência. Tive uma certa dificuldade com o combate, mal acostumado como estou com a tradicional “trava de mira” de jogos como Zelda; e o fato de cada missão ter um tempo limite também não me empolgou.
    Dito isso, esse Monster Hunter Stories tem uma proposta que me chamou a atenção; seja pelo estilo gráfico – eu, particularmente, tenho preferência por gráficos mais “artísticos” do que simplesmente “realistas” -, seja pelo estilo do próprio jogo, é um game que eu teria interesse em jogar… caso tivesse um 3DS. Assim, eu “meio” que estou torcendo por um port dele para o Switch, o que, considerando a atual situação da Capcom (um nome: Marvel vs. Capcom: Infinite), não é tão “impossível” assim, imagino eu.

    • Mysteron

      Pois é. Eu também tenho pouco contato com a série – o que eu joguei foi o último Monster Hunter para PSP via emulador e sinto que não aproveitei nada, já que para conseguir netplay desse jeito é um trabalho monstruoso e que nunca deu certo. Mas não posso negar que o Monster Hunter que vai chegar para a atual geração não está me empolgando… Como provavelmente teremos um cross-play entre Xone e PC, eu diria que a comunidade vai ser bem grandinha para esse jogo….

  • Gabuga

    Hum interessante. Jogarei no 3DS da patroa na hora do almoço XD

    • Pegue um pouco mais de tempo. Pelo menos pra demo. Você vai se divertir umas boas 4 horas só na demonstração gratuita.

  • Mario Cunha

    Parabéns pelo review e aquisição.
    Ainda quero comprar esse jogo, mas vai demorar um pouco, pelo menos já comprei o amiibo do Rathalos caolho.

  • Mrdns

    Belo review, Johnny. Como já te falei mais de uma vez eu não gosto de MH. Porém achei a proposta deste spin off legal além disso gostei da demo.

    Um dia quando estiver em promoção eu pego.

    • Hehehehehe… Valeu, Dns. Tá sumido, cara.

      Anyway, este Stories pega as coisas mais legais de Monster Hunter e as tornam bem mais acessíveis. Se gostar de RPG é um prato cheio.