Darksiders II – Análise

A Face da Morte

Autor: LJusfalheim

Ficha Técnica:

Darksiders II

Data de Lançamento: 2012

Plataformas: Playstation 4, Playstation 3, Xbox One, Xbox 360, WiiU e PC.

Nota do Editor: Agora você já deve até estar acostumado com o LJusfalheim. Em uma semana já é a terceira contribuição dele para com o RPG e é também sua terceira análise. Da primeira feita você pôde conferir justamente o game que originou esta série, Darksiders, cuja análise da sequência você lerá abaixo, formando um belo combo. Você pôde assistir também sua análise para o retrogame Castlevania III.

O que faz um game ganhar relevância nos dias de hoje? Ação desenfreada? Conteúdo adulto? Jogabilidade robusta? Gráficos inalcançáveis? Bem, normalmente, é um apanhado de tudo isso, mais uma outra coisa fundamental: personalidade. Tal aspecto é essencial para que um jogo se destaque do restante, fazendo com que as pessoas passem a acompanhar o que acontece naquele mundo fictício e se importe minimamente em jogá-lo até o final. Em 2010, em meio a sequências de grandes jogos vindos de consolidados estúdios, é lançado um jogo original de uma produtora não tão lembrada, a THQ. Tal game tinha influências declaradas de franquias como The Legend of Zelda e God of War e poderia tranquilamente passar como mais um na multidão.

Porém, o projeto foi levado com tamanha seriedade e capricho, que mesmo não sendo a coisa mais inovadora do mercado, mostrou personalidade suficiente para angariar fãs e se tornar um sucesso já no primeiro game de uma série potencialmente longa. Os eventos de Darksiders, que tem como pano de fundo os lendários quatro cavaleiros do apocalipse, colocavam o jogador no controle de War, o cavaleiro da guerra, em uma trama de conspiração que o levariam a combater anjos, demônios e monstros diversos para descobrir o que de fato aconteceu para o apocalipse ter sido desencadeado sobre a humanidade. War consegue algumas respostas porém ao final, mais perguntas ficam em aberto, sendo uma delas primordial: onde estariam os outros três cavaleiros? Pensando nisso, a THQ em conjundo com a Vigil Games, resolve trazer o novo capítulo da saga Darksiders, mas agora com o jogador sobre o comando do líder do grupo: Death, o cavaleiro da morte.

(…) Mesmo não sendo a coisa mais inovadora do mercado, (Darksiders) mostrou personalidade suficiente para angariar fãs e se tornar um sucesso já no primeiro game de uma série potencialmente longa

Os eventos de Darksiders II se iniciam ao mesmo tempo em que War está sendo julgado pelo Conselho das Chamas por ter causado o apocalipse antes do momento apropriado, causando assim a extinção da humanidade, também conhecida por ser o terceiro reino da criação. A essa altura, todo mundo no universo de Darksiders já sabe algo  à respeito dos eventos supostamente causados pelo cavaleiro da guerra. Alguns o culpam abertamente enquanto outros possuem suas dúvidas. Porém no meio de tudo isso, existe um ser que confia inteiramente em War e que faria qualquer coisa para salvá-lo e esse é Death, o líder da irmandade de guerreiros conhecida por toda a criação como os cavaleiros do apocalipse. Ao saber da notícia de que o cavaleiro da guerra teria supostamente se aliado ao Destroyer para assim causar a queda da humanidade, Death sabe de ante-mão que alguma coisa está muito errada nessa história e que como duvida das informações que chegaram a ele, decide ajudar seu irmão começando por encontrar uma maneira de ressuscitar a humanidade.

Para isso, ele viaja até as planícies geladas do Véu Gélido para se encontrar com seu velho conhecido chamado Crowfather. Porém, ao chegar lá, Death fica sabendo que as coisas são muito mais complicadas do que inicialmente aparentam e que redimir seu irmão vai ser uma tarefa que o levará a vários mundos para resolver um grande quebra-cabeça. Para isso, ele precisará de favores de anjos, demônios e até dos mortos pois sua aventura o levará para basicamente cinco mundos diferentes em uma jornada desesperada para evitar que um novo mal batizado de “Corruption” venha a se espalhar pelo universo e acabe com toda a criação.

O primeiro aspecto que se observa em Darksiders II é o tamanho da coisa toda: os caras da Vigil Games não estavam brincando quando disseram que esse game seria bem maior do que o original

O primeiro aspecto que se observa em Darksiders II é o tamanho da coisa toda: os caras da Vigil Games não estavam brincando quando disseram que esse game seria bem maior do que o original. Na verdade, essa segunda parte da jornada dos cavaleiros do apocalipse expande o conceito do primeiro jogo em tudo o que se pode imaginar. Aqui, o criador Joe Madureira quis dar asas à imaginação da sua equipe, não se limitando  apenas ao mundo do primeiro game, que é basicamente a Terra em um cenário pós-apocalíptico. Nessa continuação, a Vigil Games resolveu mostrar outros mundos e trazer mais contexto aos fãs dessa excelente saga, como o planeta dos criadores de mundos conhecido como “Makers“, que é a raça do fanfarrão Ulthane do primeiro game.

Os Makers, a raça do fanfarrão Ulthane, possuem papel central na trama

Também mostra o mundo dos mortos, uma dimensão decadente onde esqueletos e espíritos vagam pelas planícies desoladas e por fim, algumas localidades nos reinos dos anjos e dos demônios. Alguns personagens carismáticos do primeiro jogo, como Uriel, Vulgrim e Samael retornam aqui para se juntarem a outros como Karn, Nathaniel e Lilith. Todos com uma dublagem excelente, assim como no primeiro jogo e com um enredo cheio de reviravoltas até os créditos finais. Então que para quem adorou o anterior, vai se sentir em casa aqui, pois o que era bom foi mantido, ao mesmo tempo que muitas novidades foram implementadas, trazendo uma sensação muito bem-vinda de evolução natural em relação ao primeiro Darksiders.

Lilith é uma das personagens que debutam em Darksiders II e faz bom complemento ao cast original

Grande parte dessa evolução se dá ao modo como o jogador interage com o mundo. No game anterior, o fluxo de jogo ia bem na linha da cartilha de The Legend of Zelda: vá a uma dungeon, consiga um novo item ou habilidade e este lhe permitirá ter acesso a novas localidades do mapa, a novos itens/habilidades e assim por diante. Tal fator ainda continua forte aqui nesta segunda parte da franquia, porém a quantidade de lugares a explorar já desde início disponíveis ao jogador aumentaram consideravelmente, sendo que o mundo segue uma tendência de “open-world” muito mais nítida aqui do que no primeiro capítulo. Porém, nem tudo são flores pois mesmo que você consiga acessar certos lugares, não significa que o jogador irá conseguir sobreviver. Acontece que no primeiro jogo, War ficava mais forte ao fim do jogo pela compra de upgrades e achando itens mais poderosos.

Em Darksiders II, um elemento clássico de qualquer RPG se faz presente: os níveis de evolução. Agora Death conta com uma barra de experiência que mostra o quanto falta para alcançar um novo nível de poder, sendo que ações mundanas como cumprir missões ou derrotar inimigos, concede ao personagem a já manjada “XP” ou pontos de experiência. Ao subir de nível, Death ganha pontos de skill para serem distribuídos livremente em basicamente duas árvores de habilidades: a Harbinger e a Necromancer. Normalmente, cada árvore de habilidades concede quatro poderes a Death sendo que tais poderes contém seus próprios upgrades com até três níveis cada, adicionando efeitos variados como aumentar defesa e ataque, golpes em área ou mesmo invocar criaturas para auxiliá-lo no combate. E o melhor disso é que não é necessário escolher uma das duas árvores e excluir a outra. É perfeitamente possível mesclar os poderes de ambas e usá-los como bem entender, dando ao jogador uma bem-vinda liberdade para customizar Death a seu modo.

Em Darksiders II, um elemento clássico de qualquer RPG se faz presente: os níveis de evolução (…) Ao subir de nível, Death ganha pontos de skill para serem distribuídos livremente em basicamente duas árvores de habilidades: a Harbinger e a Necromancer

Outra grande novidade incorporada ao game é o sistema de loot, tão conhecido e adorado em games da série Diablo. Aqui, cada inimigo derrotado pode deixar ao jogador dinheiro, itens de uso rápido ou mesmo peças de equipamento, cada uma com seu respectivo nível e atributos. E tudo isso de forma aleatória, então que cada combate pode recompensar o jogador com novos itens agradando assim aqueles que são viciados em conseguir itens raros. Diferentemente do primeiro game, aqui o personagem principal tem seu visual totalmente customizável devido a grande variedade de equipamentos. Agora na seção do inventário, pode-se equipar armas, luvas, botas, armaduras e talismãs gerando assim uma variedade infindável de combinações. Vale dizer também que tais itens não se resumem apenas a interferir no visual, mas também para causar uma enorme variedade de efeitos especiais como aumentar a força, resistência, defesa e muitos outros atributos do cavaleiro da morte.

Porém, às vezes pode acontecer de você receber um item que só pode ser equipado caso o jogador tenha um nível específico, então que normalmente itens mais poderosos só ficarão à disposição do jogador caso ele evolua Death até o nível correspondente, balanceando as coisas nesse sentido. É interessante notar que a mudança desses equipamentos podem ajudar ou atrapalhar o embate contra certos inimigos, pois agora elementais de fogo, gelo e eletricidade são levados em conta ao passo que armas as quais causam dano de fogo são melhores contra inimigos do elemental de gelo e assim por diante. No repertório das armas, o jogador pode se deparar com as que são chamadas de “armas possuídas” ou possessed weapons. Tais armamentos podem ter seu nível inicial aumentado em algumas vezes, melhorando assim os atributos daquela arma e mesmo adicionando novos a cada novo nível. Porém para isso, é preciso sacrificar outros itens para a desejada evolução, então vai do jogador se quiser apostar em aumentar o nível de armas possuídas ou usar as armas padrões sendo mais uma opção interessante que o jogo oferece. Cabe lembrar que essas armas possuídas possuem uma variedade de efeitos extras como sugar energia vital dos inimigos, ganhar mais dinheiro, mais experiência de combate e assim por diante, ficando totalmente a cargo do jogador customizar sua arma conforme a necessidade.

O imponente Samael é um dos personagens mais memoráveis criados para a série Darksiders

No primeiro Daksiders, o protagonista interagia com o seu mundo ao redor através de uma variada gama de movimentos como escalar cenários, puxar e empurrar plataformas e se pendurar em ganchos. Aqui não é diferente, porém Death possui um repertório de habilidades bem distinto de seu irmão War. O cavaleiro da morte tem um estilo mais ágil e consegue escalar estruturas com facilidade podendo até mesmo caminhar nas paredes, bem ao modo do saudoso game Prince of Persia: The Sands of Time. Muitas sequências contam com este recurso, muito bem mesclado com as outras habilidades que Death vai adquirindo ao longo do game, que vai desde usar ganchos para saltar mais longe e até mesmo dividir sua alma em duas para resolver puzzles.

O cavaleiro da morte tem um estilo mais ágil e consegue escalar estruturas com facilidade podendo até mesmo caminhar nas paredes, bem ao modo do saudoso game Prince of Persia: The Sands of Time

Aliás, os puzzles estão ainda mais engenhosos nesse segundo capítulo da saga e embora nenhum deles seja assim tão difícil de resolver, certamente os jogadores precisarão observar cautelosamente o cenário antes de se aventurar em um novo quebra-cabeça e assim como no game anterior, praticamente todas as habilidades são utilizadas até o final, novamente aproveitando ao máximo cada item/habilidade conquistado ao longo do jogo. É necessário mencionar que Death, assim como seus irmãos, também possui seu fiel cavalo e este aparece aqui como um corcel cadavérico envolto a um miasma espectral, em um efeito impressionante. Embora não seja possível invoca-lo em qualquer terreno, é certamente um ótimo modo de explorar os vastos cenários do jogo rapidamente.

E embora o jogo conte com o sistema de viagem rápida para pontos específicos, cavalgar pelos mundos é a maneira mais legal de curtir todo o trabalho preparado pela Vigil Games. Tudo isso com um sistema de câmera muito bom, onde o jogador pode controlá-la com o direcional analógico direito ou mesmo centralizá-la com o toque de um botão. Durante o combate, assim como seu antecessor, Darksiders II lhe dá a opção de travar a mira em apenas um adversário, caso o jogador queira se focar na luta individual. Porém caso queira, pode-se jogar tranquilamente com a câmera normal, embora o foco seja bem interessante em uma luta contra os chefes que normalmente são enormes e seus ataques costumam cobrir uma grande área da tela.

Death, assim como seus irmãos, também possui seu fiel cavalo e este aparece aqui como um corcel cadavérico envolto a um miasma espectral, em um efeito impressionante

E falando do combate, embora seja basicamente o mesmo sistema usado no primeiro game, o estilo dos personagens não poderiam ser mais diferentes. Enquanto que War é um guerreiro brutamontes por excelência, onde a lentidão é compensada por muita força física, Death está mais para um ladino super ágil que faz uso de sua velocidade para vencer seus oponentes. Tanto que o cavaleiro da morte não faz uso do bloqueio e sim de esquivas e contra-ataques. Com isso, a dinâmica do combate remete bastante ao saudoso Devil May Cry, onde em grande parte não se pode bloquear e é preciso controlar bem a distância dos ataques inimigos para se esquivar e depois soltar uma barragem de ataques sobre eles, voltado a esquivar de mais ataques e repetir o processo.

A campanha dura em média umas 25 horas, quase o dobro do primeiro, mas pode demorar ainda mais caso o jogador seja um completista.

No início, os jogadores acostumados com o estilo “tanker” de War vão sofrer um pouco com essa nova lógica, mas conforme o jogo vai avançando, estarão usando com maestria todas as novas habilidades. Como arma, temos novamente duas opção básicas. A arma principal de Death é um par de foices que podem ser unidas para uma maior gama de ataques, todos muito velozes e realçando bem o estilo do personagem. Já como segunda opção temos basicamente dois estilos: as armas velozes de múltiplos ataques e as armas mais brutais com danos altíssimos, porém vagarosas. As armas velozes apresentam-se como manoplas com lâminas, garras, e pequenos escudos laminados. Estas são as armas mais rápidas do jogo e tendem a causar sequências enormes de golpes a uma grande velocidade, sendo uma excelente opção para inimigos vagarosos.

Já entre as armas mais lentas, estão os machados, maças e martelos, os quais possuem um grande alcance e causam danos altíssimos com poucos golpes, além de frequentemente tontear ou mesmo nocautear seus inimigos com seus poderosos ataques, sendo uma excelente opção para turbas de oponentes. E como se tal variedade já não bastasse, é possível alternar sequências que envolvam os ataques de foices com o ataque secundário, criando uma gama ainda maior de sequências e golpes, deixando o jogador livre para criar seus próprios combos e estilo de combate. E ainda pode-se adquirir novos movimentos de para todos os estilo de armas, comprando-os de vários treinadores espalhados pelo game. Com tudo isso, percebe-se claramente que o aspecto de combate recebeu uma atenção especial nessa sequência da Vigil Games, colocando-o em um patamar respeitável entre grandes nomes do hack’n slash como Devil May Cry e God of War.

A arma principal de Death é um par de foices que podem ser unidas para uma maior gama de ataques, todos muito velozes e realçando bem o estilo do personagem. Já como segunda opção temos basicamente dois estilos: as armas velozes de múltiplos ataques e as armas mais brutais com danos altíssimos, porém vagarosas

Porém, não é só de habilidades marciais que vive um cavaleiro do apocalipse e em Darksiders II, Death mostra seu próprio repertório de poderes sobrenaturais. Os Wrath Powers retornam aqui com uma nova lista de opções. Como já mencionado anteriormente, o jogador conta com duas árvores de habilidades para desenvolver seus poderes mágicos. Há ataques de todos os tipos como os que teleportam o cavaleiro da morte através de seus inimigos, invocar criaturas mortas para lutar em combate, magias que aumentam defesa e/ou ataque, ou até mesmo devastadoras técnicas como invocar um furacão para causar danos em todos os inimigos na sua área de ataque. Porém para usar tais técnicas é preciso de uma quantidade específica de energia Wrath, o qual o medidor é visualizado abaixo do medidor de energia vital de Death. Para se conseguir Wrath energy, basta apenas atacar inimigos com suas armas normais que a barra vai se regenerando. A combinação inteligente dos Wrath power com os ataques normais é a chave para que o jogador consiga subjugar as grandes turbas de inimigos que o game manda para o jogador.

E caso as coisas fiquem complicadas, assim como seu irmão War, Death também conta com uma forma mais poderosa que nada mais é do que o próprio ceifador de almas empunhando a verdadeira foice da morte, The Harvester, disponível no game anterior para War usá-la, mas sendo aqui  que o verdadeiro poder da arma é finalmente revelado. Tal forma, depois de disponibilizada, pode ser acionada a qualquer hora em que o medidor de Reaper Energy estiver cheio, liberando ataques selvagens de alto dano e tornando o cavaleiro praticamente invulnerável. Tal ataque é simplesmente indispensável em situações críticas e deve ser usado com sabedoria pois quando o medidor se esvaziar, vai demorar um pouco até se encher novamente, então é bom ficar esperto, principalmente nas dificuldades mais altas onde a CPU se torna realmente implacável.

Gráficos

Na questão gráfica, se no primeiro Darksiders os jogadores podiam contar com o excelente visual desenvolvido pelo cartunista Joe Madureira, aqui o trabalho se mostra não menos do que impressionante. Com a possibilidade de viajar através de outros mundos, em Darksiders II, Joe usou toda sua experiência para esculpir um universo riquíssimo de detalhes como as planícies desoladas do mundo dos mortos, a natureza verdejante dos vales do mundo da Forja, as terras angelicais de Lostlight e até mesmo o sombrio mundo dos demônios é aqui retratado de forma esplendorosa. Novamente, como é o estilo característico de Joe, os personagens são todos fora de proporção, bastante musculosos com mãos e pés gigantes e estatura exacerbada. Este estilo se mostra recorrente nos cenários, onde tudo é feito de forma pontiaguda ou irregular.

Com a possibilidade de viajar através de outros mundos, em Darksiders II, Joe usou toda sua experiência para esculpir um universo riquíssimo de detalhes como (…) a natureza verdejante dos vales do mundo da Forja

Os inimigos trazem criaturas do game anterior mescladas com toda uma horda de novos monstros que variam desde constructos e golems até insetos gigantes, cada um com seus próprios padrões de ataques e habilidades, mostrando uma outra faceta do universo de Darksiders. O próprio personagem, Death é animado para demonstrar uma postura selvagem e astuta, com o cavaleiro da morte usando e abusando de seu par de foices e sua agilidade para criar terror em seus inimigos. Isso se reflete também em sua personalidade em que ele se mostra bem mais irônico que seu irmão War. Ao passo que Death também está a serviço do conselho das chamas e luta em prol do equilíbrio do universo, ele certamente é o mais frio e calculista dos dois, passando bem longe do estereótipo normal de herói.

Sons

A parte sonora está no mesmo patamar do game anterior que já era ótimo e continua magistral aqui, com novas composições que combinam exatamente com o ambiente em que estão inseridas. Nas partes narrativas, as músicas são épicas e traduzem bem o peso do enredo, enquanto nos combates, o som adotado é um misto de uma música sombria, arranjada com batidas tribais que acompanham muito bem a ação. Em cenários como o mundo dos construtores, como é um lugar mais ligado à natureza, a composição muda para um tom mais leve e zen, dando realmente a impressão de se estar andando por uma bela floresta. Os efeitos sonoros vão na mesma linha, com sons bem apropriados para os mais diversos efeitos causados pelos combates e pela exploração dos cenários, como jarros quebrando, eletricidade pulsando, rios correndo e pássaros cantando. Tudo tratado com grande esmero pelo pessoal da Vigil Games que mais uma vez conseguiu produzir um excelente trabalho sonoro.

The Makers Theme demonstra versatilidade da trilha com “um tom mais leve e zen”, em certos momentos até lembrando trilha de O Senhor dos Anéis

Nem tudo são flores e foices afiadas

Mas então com tudo isso de bom, chegamos ao game perfeito dos cavaleiros do apocalipse? Bom, infelizmente não é bem assim. Devido ao aumento das proporções como no tamanho dos cenários, inimigos e interações, era de se esperar por alguns percalços e eles aparacem aqui como alguns problemas de colisões, crashes durante o game e alguns bugs bobos que o impedem de entrar em algum lugar. Verdade que essas ocorrências, novamente são raras e não estragam a experiência do jogador, porém devem ser mencionadas já que acontecem mais vezes do que seria desejado. Outro problema que pode variar de jogador para jogador, é novamente a câmera de combate. Assim como no primeiro Darksiders, quando usada para focar em apenas um oponente, ela tende a ficar muito próxima do personagem com um ângulo de visão lateral, o que pode tirar de vista inimigos ao redor.

Em arenas pequenas lotadas de inimigos então o combate pode ficar bastante frustrante com inimigos atacando de fora da tela o tempo todo, sendo que nessas ocasiões é recomendado usar apenas a visão normal. Mesmo assim, isso pode ser bem chato em dificuldades mais altas onde cada dano tira muita energia do personagem. Com um pouco de prática tudo melhora, mas certamente uma câmera melhor posicionada teria feito maravilhas pelo já decente sistema de combate. E ainda na área dos problemas, alguns jogadores que preferem o sistema mais direto ao ponto do primeiro game, podem achar o jogo muito longo e monótono, pois os cenários são bem maiores e nem todo mundo tem paciência de explorar tudo. A campanha dura em média umas 25 horas, quase o dobro do primeiro, mas pode demorar ainda mais caso o jogador seja um completista.

Veredito

Darksiders II é uma sequência mais do que digna do primeiro game da saga. Maior em todos os sentidos, o jogo mostra como é a forma correta de expandir um conceito sem perder a diversão e o estilo do original. Com uma narrativa interessante, um novo sistema de quests e side-quests, loot abundante e possibilidade de customizar o poderoso cavaleiro da morte, esse segundo jogo da franquia dos cavaleiros do apocalipse só melhorou o que foi iniciado no ano de 2010. Agora é só esperar o novo capítulo para ver como ficam os outros dois cavaleiros que faltam e quais novas ideias trarão para um novo título.

Pelo que foi visto aqui nessa segunda parte, só podemos esperar um jogão.

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  • Vinicius

    Boa analise. Só digo isso, gostei mais do primeiro, achei que o segundo era longo demais e com muito filler, mas o gameplay era bom.

    • Gosto dos dois. Mas, de formas diferentes. O primeiro é mais objetivo. Melhor pra quem quer experiências mais curtas, mas, como na época queria uma experiência um pouco mais densa, senti que ele faltava um pouco mais de conteúdo. Mas, bem divertido. O II eu achei que desequilibrou isso. Realmente, tinha uma série de situações que eu achava forçada de barra pra durar mais (ou seja, aumentaram o game, mas, não de forma ideal). E eu não achei o sistema de loot muito inteligente, ele era simples ao extremo ao ponto de eu não me importar com ele. Mas, era uma aventura mais densa. Um combate bem prazeroso e áreas que eu gostava de explorar. Espero que o III consiga encontrar um equilíbrio sadio entre essas qualidades e defeitos que o I e II tinham entre si. É uma série que me surpreendeu de forma bem positiva.

    • white_crow

      Gezuis… eu aqui vendo os caras reclamarem que o game é muito longo. Vem meteoro!

  • Joao Rafael Serrano

    Sameski nasceu para escrever, excelente review !!
    Gostei muito de Darksiders II , porém concordo com a galera que em alguns momentos o jogo pareceu grande demais. Estou na expectativa no terceiro jogo .

    • ljusfalheim

      Poxa, valew João! Que bom que curtiu o review! Pra mim, Darksiders II é um game que eu aguardei com absoluto hype. E quando saiu, mergulhei no game e adorei. Depois de terminar 3 versões do game (X360, WiiU e a Dethinitive Edition do pc), vejo melhor os defeitos do game. O lance dele ser muito grande me incomodou um pouco, mas para isso, basta apenas o jogador se concentrar apenas nas missões principais que fica tudo certo. O que mais me incomodou mesmo foi a câmera do combate. Morri diversas vezes por causa de não ter visibilidade do que estava acontecendo. Mas mesmo assim, é um game AAA pra mim. Aguardo o terceiro com um hype enorme e pelo que vi até agora, creio que vai ser uma boa cruza entre o primeiro e o segundo game.

      • Joao Rafael Serrano

        Uma outra coisa que eu gostei muito desse jogo é a dificuldade na medida certa, além dos desafios dos puzzles o combate em si exige habilidade por parte do jogador , eu morri diversas vezes em todos os chefes do jogo !!

        • ljusfalheim

          Pois é, João, isso é uma coisa que eu gostei muito. Jogo os Darksiders sempre na Apocalyptic, pois o desafio é bastante justo. Claro que se der mole, em 3 ou 4 golpes, o cara vai “pro espaço”, mas é muito divertido jogar nessa dificuldade em Darksiders II. O duro é só ter que encarar o crucible na apocaliptic. Tem que estar num nível decente e ter o equipamento certo, senão nem falar. O máximo que cheguei foi na Wave 36 se não me engano.

  • Mysteron

    Caraca… Que senhor review, hein? Parabéns!

    Mas falando do jogo, eu lembro que na época algumas pessoas chiaram por ele não ser tão parecido com o 1º jogo da série. O que foi que aconteceu?

    • ljusfalheim

      Obrigado pelas palavras, Mysteron! O review ficou legal porque eu adoro esse game eheheh! Quanto ao jogo em si, eu vejo assim: o primeiro game era uma proposta bem “The Legend of Zelda”. Para o segundo, o pessoal da Vigil quis realmente expandir o conceito de jogo. Agora você tem uma proposta bem mais open world que o primeiro, onde independentemente das dungeons que você concluiu, pode vagar muito mais por outros lugares já de cara. O lance do combate também é outro estilo, pois Death é mais ágil e não pode bloquear, o que muda bastante a lógica de combate em relação ao primeiro game. E também tem o fato que agora tem um sistema de Quests e side-quests que estava ausente no título anterior. O que o pessoal mais chia é por causa que muitos esperavam uma real continuação dos eventos do anterior, que terminou de forma bombástica. Porém, desde o início, a Vigil games disse que o segundo game rolava em paralelo ao primeiro, sendo que ele termina mais ou menos ao mesmo tempo que a aventura de War. Como eu aceitei o game pelo que ele é, não tive problemas, mas sei que muita gente saiu frustrada, por esperar algo diferente. E vai ser a mesma coisa com o terceiro game (que trará Fury como protagonista) e provavelmente também no quarto game (com Strife) sendo que a história só iria realmente pra frente em Darksiders V. Mas pra mim que adoro a série, se tiver a qualidade costumeira, podem vir quantos títulos puder eheheh!

      • Mysteron

        O 3º tá na esquina. Como anda a ansiedade? hehehehehe.

        • ljusfalheim

          Cara, o dia que anunciaram o terceiro quase infartei ahahah! Eu sou uma pessoa otimista para games e procuro sempre ir atrás dos pontos positivos e por isso que não dei muita bola para Darksiders ter se influenciado fortemente por Zelda e GoW. Acho que se copiar uma coisa boa já é um bom começo. O terceiro jogo, por tudo que vi até agora, tem tudo pra ser exatamente o que se espera dele: uma mistura perfeita do que tinha de bom nos dois primeiros títulos, fora o fato de que a equipe da Gunfire games é composta basicamente por grande parte da galera que fez os dois primeiros, por isso estou bem tranquilo (mas com o hype nas alturas, tipo, quero jogar HOJE eheheh).

          • Mysteron

            hahahahahahaha! Sei como é. Estou com essa ansiedade para alguns jogos também. Em uma indústria onde o pessoal tenta se reinventar cagando em tudo o que foi feito antes, é bom ver pessoas que realmente amam o jogo correr atrás de melhorias.

      • white_crow

        Já mudaram para Fúria, já começou errando! huehue

        • ljusfalheim

          White Crow, se os caras souberem fazer o lance, pode ficar muito phoda com a Fury no comando de tudo. Fora que teremos ainda o Strife para um possível quarto game. Daí os caras juntam tudo no Darksiders V e terminam o que começaram no primeiro game. Acho que tem tudo pra ser bom, resta saber se a galera da Gunfire games vai continuar melhorando o conceito do mundo de Darksiders. Sinceramente acho que os caras sabem o que estão fazendo e vai sair um jogo tão bom quanto os dois primeiros (ao menos é o que eu torço eheheh).

      • Bom ponto levantado pelo LJ. Me refiro a questão da expectativa acerca da história. E ainda nesse fator é algo que sempre trabalhou a favor da série pra mim, ao invés de contra. São games que não possuem investimento tão megalomaniaco e conseguiu entregar produtos realmente interessantes e bem polidos. Como eu não esperava necessariamente uma continuação do primeiro em termos de história (novamente a expectativa), acabei me divertindo bastante. Terminei o II duas vezes é pretendo revisitar.

        • ljusfalheim

          Bem isso, Jonny-el! Darksiders é um game de médio-orçamento enquanto Darksiders II subiu um razoavelmente as cifras, mas ainda assim tem um orçamento limitado se conparado a um God of War ou mesmo GTA. E os caras conseguiram deixar o jogo num padrão muito superior a um game “medium grade”. Darksiders me parece aquele caso de os desenvolvedores fazerem o seu melhor, mesmo com todas as dificuldades. Isso por si só já é louvável, mas como o game é muito divertido, fica ainda melhor de curtir.

  • white_crow

    Só o ljusfalheim botando o site para funcionar

    • ljusfalheim

      Ahahah! Cara, é que eu gosto de escrever e aqui é um espaço bom com uma galera legal, então tudo se encaixa! Não sei se conseguirei manter o nível ou mesmo o fluxo de reviews (o tempo anda cada vez mais curto), mas farei o melhor que puder.

    • Nossa! Esqueceu do Munnrah… :’-( Isso pq comenta na coluna do cara.

  • Dark Angel Caxias

    Darksiders II foi um dos jogos que considerei comprar junto ao Wii U, ainda quando eu pensava em adquiri-lo perto do lançamento, o que acabou não acontecendo, tal como com o Wii e o próprio Switch, mais recentemente; as críticas em relação à qualidade do port influenciaram um pouco nisso. E, apesar das promoções seguidas terem “tentado-me” bastante, entre o fluxo constante de jogos de Virtual Console que eu vinha jogando e a falta de espaço suficiente no HD, acabei desistindo de vez de uma possível compra. Eu até ficaria na “torcida” por um port dos dois para o Switch; mas, novamente, não sei se teria o tempo disponível para poder dedicar-me adequadamente a esses jogos…
    De qualquer forma, mais uma boa análise do LJusfalheim. Espero que ele consiga “manter o ritmo”, para manter a atividade aqui no site… rs

    • ljusfalheim

      Valew por prestigiar o review, Dark Angel! Tipo, eu sempre fui fascinado por essa franquia, desde o primeiro. Lembro que peguei Darksiders 1 mês depois do lançamento e não esperava muita coisa do game. Porém depois que comecei a jogar, simplesmente não conseguia mais para. E o final foi tão legal que quando o segundo jogo foi anunciado e disseram que trariam o Death como protagonista, quase pirei eheheh! Comprei o segundo jogo no lançamento para X360 e terminei tudo em 4 dias de tão viciado que fiquei no game. O jogo tem lá suas falhas, mas ao menos para mim, nem de longe o torna um jogo a ser deixado para trás. Se tiver um tempinho, dê uma chance. Sinceramente digo que você pode se surpreender.