Rodando Planeta Gamer

E3 2017 – PC Gaming Show

Já falamos sobre a conferência da Microsoft e sobre a conferência da SONY.

Os PCs não estão ganhando atenção na E3 de bobeira, não, e você vai conferir a razão disso pelas mãos de Munnrah, O de Vida Eterna!

E é chegada a hora: a conferência mais consistente dos últimos anos na E3, desde a sua estreia, e também a que provavelmente melhor entregou até agora, com a maioria dos jogos anunciados sendo lançados daqui um ou dois meses, com uns poucos anúncios para 2018.

PC Gaming Show.


Apresentação

Organizado pelo site PC Gamer, 2017 é o terceiro ano da conferência PC Gaming Show, evento focado em PC, sempre trazendo alguma coisa voltada para o hardware também. Pelo terceiro ano seguido, apresentado pelo streamer e youtuber Sean “Day [9]” Plott (sigam ele por aqui, e assistam os vídeos dele sobre Magic: The Gathering, são MUITO engraçados), a PC Gaming Show segue um formato próprio, e um pouco diferente das demais conferências.

Sem pressa para terminar a apresentação, e sem grandes firulas ou shows de fogos, ou atores famosos, a conferência mistura dois momentos: a apresentação de trailers, seguidos de entrevistas (entrevistas, de verdade mesmo), com os desenvolvedores dos jogos recém apresentados.

PC Gaming Show 2017

As conferências da Microsoft, da Sony, e, em menor extensão, da Nintendo, gostam sempre de falar “esse ano vamos focar nos jogos”, “essa é uma conferência para os jogadores”, principalmente depois do fiasco das apresentações que anunciaram o Xbox One e o PS4 Pro, ambas de alguns anos atrás.

Bom, como não precisamos falar em melhores gráficos (já temos), nem se gabar de ter a maior base instalada (já temos), nem de ter o melhor serviço multiplayer (já temos, faz muito, muito tempo, e de graça), a PC Gaming Show pode se gabar em dizer que é a única conferência realmente sobre os jogos (hue, a conferência desse ano foi patrocinada pela Intel, que teve um trecho de uns 15 minutos deles no meio, apresentando o Intel i9. Pode pular sem medo, é tão sem graça quanto a conferência da Sony).

Esse vídeo, que abriu a conferência, é uma das melhores representações dos PC Gamers que eu já vi, e mostra com razão e fervor, o motivo de nos orgulharmos tanto de dizer: SOMOS TODOS PC MASTER RACE.


Combinando os anúncios, com as entrevistas, é importante destacar que o PC Gaming Show acaba sendo a conferência mais longa da E3, tendo mais de duas horas no seu primeiro ano, e em 2017, ficando em 1h45m.

Bora para os anúncios então, alguns deles acompanhados das entrevistas:

XCOM 2: War of the Chosen

War of the Chosen é uma expansão para o último jogo na grande franquia de jogos táticos do PC (com os dois últimos games também lançados nos consoles), XCOM 2. A desenvolvedora, Firaxis, também trabalha com a aclamada série Civilization.

Considerando a qualidade da expansão do primeiro XCOM, Enemy Within, a expectativa por War of the Chosen é grande. Lançamento marcado para agosto de 2017.

Battletech

O retorno do grande Battletech. Franquia de 1984, que se iniciou com o lançamento de um jogo de tabuleiro homônimo, são dezenas de outros jogos (físicos, de papel, não videogames), mais de uma centena de livros de ficção, HQs, uma série de TV em 1994, e mais uma meia dúzia de videogames. Lançamento previsto para o final desse ano.

Griftlands

Novo jogo da Klei, de Don’t Starve e Mask of the Ninja, previsto para final de 2017, começo de 2018. Eu curti pacas (sendo um dos jogadores de ambos os jogos que eu falei ali em cima), e os jogos da Klei sempre tem uma qualidade muito alta.

Ylands

Ylands, novo jogo da Bohemia Interactive, de Arma 3 e DayZ. No estilo que mais faz sucesso hoje em dia (considerando que Ark: Survival Evolved conseguiu ter, simultaneamente, mais jogadores do que todos os Xbox One ligados no mesmo momento, 9 milhões de jogadores simultâneos), Ylands é mais um game do estilo survival, e pelo que dá para ver pelo trailer, voxel-based, ou seja, o seu terreno é completamente manipulável.

Age of Empires: Definitive Edition

Últimos dos grandes anúncios da PC Gaming Show, na minha opinião, pelo menos. Versão remasterizada do grande clássico Age of Empires. Vai vender feito água.


E agora alguns indies (mas não menos importantes) anunciados na conferência, a uma coisa que PC Gamer adora – anúncio de update de jogo recém-lançado ou ainda em acesso antecipado.

Ooblets

Minha esposa adorou. Muito marmanjo que tem seu arquivinho de Animal Crossing lá guardadinho também.

Tunic

Tunic – mais um indie, lançamento previsto para 2018.

Killing Floor 2 – Summer Event

Evento de verão de Killing Floor 2 (é mais legal do que parece, juro, hehehe)

PlayerUnknown’s Battleground climbing, vaulting and weather trailer

Um dos anúncios mais aplaudidos da PC Gaming Show (de fé), fiz questão de deixar o título inteiro do vídeo aqui porque o anúncio é justamente disso. Atual jogo mais vendido do Steam, e nessa posição desde o seu lançamento, o jogo ainda está em Early Access, mas agora os jogadores podem pular sobre objetos, e escalar. E vem uma arma nova também. Anúncio digno de PC Gaming Show.

Mount & Blade 2: Bannerlord

Outro anúncio digno de PC Gaming Show, o novo trailer de Mount & Blade 2 (já anunciado faz algum tempo), foi, na verdade, vencedor de uma competição do site PC Gamer pelo Twitch: os usuários votaram em qual jogo eles gostariam que aparecesse no PC Gaming Show. É basicamente isso, só um trailer novo de um jogo já anunciado (mas ainda sem data de lançamento) – parece até as conferências da Microsoft, da Sony, da Nintendo… ooops, hehehe.


A PC Gaming Show também é o lugar onde os desenvolvedores vão para mostrar o quanto os seus jogos serão melhores no PC, e também onde um jogo aparece só para anunciar a data que vai sair do beta.

Sea of Thieves

Total War: Warhammer II

Lawbreakers


Conclusões

Gostaria de deixar uma pequena alfinetada aqui no final (claro que já deixei várias outras lá no começo).

Trata-se de uma das conferências mais consistentes de toda a E3, desde o seu início em 2015. Sempre apresentada por Sean Day [9], que é uma pessoa engraçada, e sincera, e que, ali, no palco, é apenas um empregado da PC Gamer. É fácil de se identificar com o apresentador, porque ele não está lá para vender o seu peixe, nem para vender o peixe de ninguém. Ele está lá simplesmente como mais um jogador, um intermediário entre a audiência e os desenvolvedores.

É também a conferência mais sincera de todas, já que ela não apresenta nenhuma demo falsa (como falamos na coluna de Alien alguns dias atrás), nem CGs maravilhosas, nem aquele povo que finge que está jogando um vídeo, ou uma demo tão scriptada que o cara só segura pra frente.

A PC Gaming Show trouxe, desde o seu primeiro dia, esse contato muito próximo, entre desenvolvedores e jogadores, que só existe de verdade nos PCs, e nas comunidades que surgem nos jogos de PC. É o lugar para o feedback constante, para desenvolvedor chorando, pedindo desculpas, fazendo rollback em uma atualização que não agradou a comunidade.

É o lugar que um jogo que ainda não está pronto, que sequer foi lançado, mas já aceita mods, e que tem 9 milhões de jogadores simultâneos, em dia de promoção. É o lugar em que a comunidade aplaude a divulgação de documentos de design, onde eles não precisam vazar por causa de um funcionário descontente, mas que são upados pelo próprio desenvolvedor, com orgulho, ou que comemora o anúncio de que agora, depois de muito trabalho dos times de programação e animação, o seu personagem consegue pular.

É o lugar que um anúncio acontece no jogo indie de um amigo, que acabou de ser lançado, e é o lugar que, às vezes, o feedback é tão negativo, que um desenvolvedor tira o jogo da loja, e outro deixa o seu próprio jogo completamente de graça, e ainda fala: não cometerei esse erro novamente, e o meu próximo jogo será o melhor que já fiz.

É onde Cliff Blezinsky, um dos desenvolvedores mais rockstar da indústria (Gears of War), vem para anunciar a data do lançamento do seu primeiro jogo indie de verdade, o Lawbreakers, e divulgar o preço, de 29 dólares, e ainda diz “29 dólares, porque ninguém deveria pagar 60 dólares por um jogo multiplayer-only, online-only“.

Porque na PC Gaming Show, ninguém tem o rabo preso.

Esse é o lugar onde a PC Gaming Show existe. É para essa comunidade (que somos todos nozes), que ela é feita. Lugar de gente esquisita, mal vestida, com vozes estranhas, e que não deveria aparecer na TV. Lugar em que o apresentador faz de tudo para acalmar um desenvolvedor que está tão nervoso que não consegue nem falar (veja a apresentação de Planet Coaster, no ano passado eu acho. Jogaço, por sinal). Sem pompa. Sem orquestra. Sem músicos indianos. Sem um Porsche no meio do palco. Mas com sinceridade. Com dedicação. Com humildade, coisa que a E3 tinha se esquecido que existia.

É importante falar isso aqui: sem a necessidade de gerar hype para vender sistemas (coffXONEXcoffPLAYSTATIONVRcoff), a maioria dos anúncios da PC Gaming Show acabam sendo realmente lançados, em um intervalo médio de seis meses após o anúncio.

Não se trata aqui de Death Stranding, que só Kojima sabe quando vai sair (provavelmente? 2020), ou do Switch, que o anúncio de lançamento do console também já aproveitou para mostrar alguns jogos que vão sair só quando o próximo console da Nintendo estiver sendo anunciado.

O quê? Acha que estou só tirando sarro? Demoraram um ano para mostrar um vídeo de alguns minutos de Fire Emblem Warriors. Isso acabou acontecendo com o Gamecube – Twilight Princess – e com o WiiU – Zelda WiiU, hoje conhecido como Breath of the Wild – então o que dizer de Metroid Prime 4, anunciado como um título em um fundo escuro; ou de Core Pokémon RPG on Switch, que nem tela com título teve? Pelo menos um deles só vai sair só quando o USwitch já estiver sendo anunciado, hue. Falando sério, talvez até não, já que os dois são second-party, mas se fossem first… aí acho que eu ia acabar acertando, hehehe.

O formato da PC Gaming Show é, para mim, é um dos dois formatos que deveriam ser seguidos por todas as empresas. Ou você anuncia jogos que estão prestes a sair, como sempre ocorre na PC Gaming Show, ou como foi a apresentação da Bethesda de 2016, ou da Ubisoft nesse ano; ou você, a cada ano que passa, apresenta seus jogos para os próximos 2 a 3 anos. A Sony fez isso no ano passado e foi sensacional. Mas para esse ano, ela não tinha mais jogos para mostrar. Deveria, na minha opinião, ter trazido outras empresas, outras first, outras second, outros lançamentos third, agora para 2019/2020.

Não dá para querer o bolo, e também comê-lo, como dizem os americanos.