Project Octopath Traveler – Preview

O clássico de “SNES” que não existiu

Autor: Jonny

Ficha Técnica:

Project Octopath Traveler (título provisório)

Lançamento estimado: 2018

Plataforma: Switch (exclusivo)

Desenvolvedora: Square Enix / Acquire

Em um de seus mais recentes Nintendo Direct, tivemos uma grata surpresa vindo da Square Enix. Sem muito alarde antes da apresentação, quase como que em segredo, a nova IP, Project Octopath Traveler, foi demonstrada e com o bem vindo anúncio que os players já poderiam testar a demo disponível na E-shop.

É sobre esta demonstração que falarei neste texto de impressões sobre Project Octopath Traveler.

16 Bits sem amarras

Literalmente à primeira vista o que mais chama atenção em Project Octopath Traveler (POT) é seu charmoso e bem executado visual. Você está vendo um game com aqueles gráficos e direcionamento artístico de grandes RPGs do SNES. Entretanto, sem as limitações técnicas daquela época. A Acquire está orgulhosamente chamando de “2D HD”.

Imagine um Final Fantasy VI em termos de sprites e pixels, mas, com efeitos modernos de iluminação, água, etc. (…) O resultado é deslumbrante

E o nome sintetiza bem o que nossos olhos vêem. Imagine um Final Fantasy VI em termos de sprites e pixels, mas, com efeitos modernos de iluminação, água, etc. O resultado é deslumbrante e a vontade é de desbravar cada área com calma, afim de ver como as sombras de seus pixels quadradões são brilhantemente demonstradas nas paredes, como os tetos das casas são extremamente familiares ao que testemunhamos na década de 90 e como esses elementos interagem de forma equilibrada com uma bela água, com fogueiras e tochas. A Acquire faz parecer que o “velho” e o “novo” foram feitos um para o outro. Espere só para entrar em sua primeira Boss Battle e ver os sprites dos inimigos “grandões” e com inspirado design. É de encher os olhos.

A trilha sonora não é como a arte do jogo. Calma! Ela é muito boa e marcante. Entretanto, não vemos uma tentativa aqui de mesclar o antigo e o atual, pelo contrário, a trilha da demo é “moderna” e poderia compor qualquer game de RPG AAA por aí. Denota inspiração e pela riqueza apresentada podemos ficar otimistas para a versão completa.

(…) Não vemos uma tentativa aqui de mesclar o antigo e o atual, pelo contrário, a trilha da demo é “moderna” e poderia compor qualquer game de RPG AAA (Triple A).

“O caminho dos oito viajantes”

O título provisório do game é eficiente em apresentar uma característica central e importante deste game: você controlará 8 personagens diferentes. Como isso funcionará no produto final ainda é um mistério.

Você controlará 8 personagens diferentes. A bela, destemida e cativante Primrose é uma delas

Na demo, você é apresentado a dois dos interessantes personagens e os controla individualmente, de forma que o início da trama de um sequer interfere na outra. Inevitavelmente, como as ilustrações e vídeos de trailer demonstram, as aventuras deverão se entrelaçar. Tão pouco é demonstrado qual seria a motivação para que estes oito distintos personagens se disponham a trabalhar juntos e descobrir isso será um dos atrativos da versão completa.

O que temos aqui são propósitos pessoais, seja de revelação, reencontro de sua fé em si mesmo ou de vingança. Os personagens são o cavaleiro caído Olberic e a charmosa dançarina Primrose. Não revelarei mais sobre eles, pois, até mesmo na demo a descoberta do início de suas jornadas é intrigante e que precisa ser vivenciada por você. Mas, vale ressaltar que a narrativa é bem conduzida e o game possui dublagem cativante na maioria dos momentos chave. Além disso, o carisma ímpar que estes dois apresentam só me deixa ainda mais curioso para conhecer todo o elenco.

RPG por turnos? Ah, nã… SIM!

Em um RPG que exala nostalgia é natural que tenhamos um sistema de batalhas por turno engessado e convencional ao extremo, certo? Aqui é errado! Felizmente, POT decide aliar o clássico com o moderno também em seu sistema de combate. Veja, não é nada de extremamente inovador, mas, é bem implantado e divertido. Os responsáveis por essa mudança na forma de se combater são os seus “Boost Attacks” e o sistema de “Guards” e “Breaks” que os inimigos estão sujeitos.

A cada turno você e seus adversários podem atacar como em qualquer RPG por turno, acontece que os adversários tem um certo número de “Guard”. A forma de quebrar (“Break”) essa defesa é variada e cabe a você descobrir as fraquezas de cada adversário para deixá-los em Stun e ganhar valoroso turno para recuperar sua vida, buffar seus ataques ou até mesmo atacá-los diretamente com seus “Boost Attacks” para causar dano colossal. Para você enxergar melhor, peguemos Olberic como exemplo, ele porta duas armas, uma espada e também uma lança, se a fraqueza de um dos seus adversários for 1 de espada, assim que você o atingir uma vez por esta arma, ele terá sua defesa quebrada e você está em vantagem de ataque. Esse simples sistema dá um dinamismo interessante para as batalhas e as tornam divertidas.

(…) Os adversários tem um certo número de “Guard”. A forma de quebrar (“Break”) essa defesa é variada e cabe a você descobrir as fraquezas de cada adversário para deixá-los em Stun e ganhar valoroso turno para recuperar sua vida, buffar seus ataques ou até mesmo atacá-los diretamente com seus “Boost Attacks” para causar dano colossal

Outra característica que promete não deixar o game cair na mesmice durante a jornada é que cada um dos personagens terá uma habilidade de exploração distinta e influenciará em como você avança. Peguemos desta vez a linda Primrose como exemplo. Sua habilidade é de “encantar” as pessoas que ela encontra, fazendo com que estas a sigam e até mesmo podem ser invocadas dentro de batalha. Estas habilidades são exploradas superficialmente na demonstração, mas, estou otimista com relação ao uso desta mecânica na aventura completa.

O Clássico de “SNES” que existirá!(?)

Ao longo de suas duas horas a demo de POT conseguiu me deixar com um baita sorriso no rosto. Seja pela nostalgia sentida, seja pela direção artística extremamente acertada ou pelo modo de combate que consegue divertir ao invés de aborrecer. Fora isso é gostoso ver que a Square consegue ainda acertar a mão quando tenta agradar a galera que amava seus RPGs nos 16 bits. A trama madura é promissora e estou ansioso para ver os desdobramentos do roteiro em 2018.

Project Octopath Traveler promete ser divertido, nostálgico e deve, caso concretize tudo que tenciona, se tornar referência de como fazer um “retro game” do gênero.

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  • Mario Cunha

    Eu também joguei a demo e adorei. Mal posso esperar pela versão completa do jogo em 2018.

    • Idem aqui. Será facilmente comprado no primeiro dia. Essa demo realmente me deixou convencido. 😀

      • Vinicius

        Somos 3 camaradas.

      • Mario Cunha

        Só espero que não viajem no preço e cobrem US$ 50,00 por ele.
        Acho que US$ 29,99 como o I Am Setsuna estaria bom.

        • Deve, e deveria, ser o caminho adotado. Não que o produto não mereça mais, mas, dado o investimento mais contido que em um AAA, seria o preço justo a ser cobrado. 30 dólares é um ótimo preço e acredito que atrairia mais grana que cobrar um valor cheio de AAA.

          • Vinicius

            Honestamente eu to achando que esse sera um jogo de 40 ou 50.

          • :'( Tomara que esteja errado. Por nossos bolsos. Hahahaha…

          • white_crow

            Você quer a coisa hipster, mas não quer pagar o preço hipster? O.o hahahha

  • Vinicius

    Quando os consoles começaram a ficar mais poderosos, la pela era do GC/PS2/XBOX, era isso que eu queria ver, eu ficava imaginando como seriam os sprites conforme a tecnologia fosse avançando, e honestamente, era mais ou menos assim que eu imaginava.

    • Pois é! Mas, naquela época o mercado não tinha essa maturidade de hj. Acho que a grande maioria só queria ver todo o potencial gráfico dos consoles no limite… Ok! Ainda hoje tem muita gente que só quer isso, mas, fico feliz que obras como essa esteja ganhando cada vez mais notoriedade e público.

  • Dark Angel Caxias

    Instalei essa demo no dia seguinte ao que foi liberada, e já fiz ambos os caminhos disponíveis; ela continua instalada no console, à espera de algum momento em que eu volte para fazer as sidequests presentes (ainda que eu não saiba como o fazer… rs). Como alguém que vivenciou muito pouco dos RPGs da geração 16-bits – joguei apenas o Earthbound, e no Virtual Console do Wii U, ainda -, gostei do jogo: achei os gráficos agradáveis (mesmo que apreciasse alguns “retoques” em certos pontos), a música e, especialmente, a dublagem surpreenderam-me pela qualidade, assim como a história, com um tom bem mais “adulto” do que eu esperava, particularmente no caminho da Primrose.
    Em contrapartida, também há alguns aspectos dos quais não gostei tanto, e que comentei na pesquisa enviada pelos desenvolvedores: apesar de entender a “tradição”, gostaria que os inimigos tivessem animações de ataque; achei o combate um pouco “simples” (descobre fraqueza – carrega o Boost o suficiente para quebrá-la – usa o Boost – volta a carregar), talvez por ser início de jogo; e extensões muito longas de diálogo e animações com poucas seções efetivamente jogáveis entre, especialmente no caminho da Primrose. Isso é um pouco agravado, eu diria, pelo fato de não ser possível as “pular”, o que incomoda quando se é necessário repetir uma batalha contra um chefe, por exemplo (não foi o meu caso; “descobri” esse problema olhando na internet).
    De qualquer forma, achei uma experiência positiva; estou curioso para ver a história “geral” do jogo, como são os outros personagens, e como eles vão interligar um ao outro. Apenas penso que algumas melhorias, entre elas no menus do jogo, seriam suficientes para garanti-lo como, no mínimo, um bom jogo.

    • Hummmm. É bem verdade. Esqueci-me de colocar como revés de minha experiência a não possibilidade de cortar as cutscenes caso você morra em um Boss, por exemplo. Essa característica não faz sentido hj em dia. Espero que tenha sido apenas esquecido de se implantar e na versão completa tenhamos essa possibilidade. De resto, como você não vivenciou FF VI e outros clássicos do SNES, acredito que o game perde, talvez, seu fator mais relevante: a nostalgia. Mas, que bom que conseguiu desfrutar ainda assim.

      De resto, acho que é o que você mesmo falou, ali é só um “gostinho”. Acredito que as possibilidades serão exploradas mais a fundo no completo. Assim espero.

  • Gabuga

    Cara , joguei ontem no NSW de um amigo e O JOGO É MUITO FODA. compra obrigatória para quem tem o switch. Achei o gráfico de mais para FF Tactics do que para o FF VI. Achei o combate top e com uma pegada meio persona (descobrir e utilizar a fraqueza dos inimigos.) Em resumos jogão, o nsw ganha um ótimo exclusivo.

    • Sim. Por isso disse que não é algo completamente inovador. O que eu tinha em mente era exatamente as batalhas do game da Atlus. Acredito que sua memória te invoque o Tactics pelos efeitos modernos. É uma boa referência que não tinha me tocado. Em termos de “bonequinhos”, inimigos em batalhas e a forma como as vilas são, ele me lembra muito os RPGs de SNES.

  • attica

    E esses efeitos de luz ai? Que isso, novinha.

    • Lindão, né?! É ainda mais bonito com o portátil na mão (ou na TV).

  • attica

    Esperando chegar na PS plus S2

    • Espero que a exclusividade seja temporária. Parece um game tão legal que espero que o máximo de fãs de RPGs tenham a oportunidade de experimentar. É claro. Se vender bem motiva Square e outras empresas a fazer mais da fórmula.

    • white_crow

      Se a gente quisesse andar de carroça ainda… hue hue

  • Vinicius

    Agora lembrei de uma coisa que eu esqueci de comentar, e é como eu adoro que os baus estão escondidos em uns ângulos difíceis de ver, então tem que prestar atenção pra achar.

  • Mysteron

    A direção de arte aí é uma coisa fantástica, realmente a Square tem que aproveitar essa galera apaixonada e continuar a fazer jogos com essa qualidade.